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O Melhor da Chapada dos Veadeiros em 1 Semana

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Como desfrutar ao máximo deste lindo paraíso natural próximo à capital nacional

RESUMO

Neste mega roteiro você encontrará tudo o que precisa para conhecer bem a Chapada dos Veadeiros. Foram 8 dias de tour, sendo 2 de mobilização. Nestes 6 dias de turismo foram percorridos cerca de 700 km de carro por 15 atrações naturais da região. Este post mostra como se preparar para a viagem e um ranking das atrações que me impressionaram mais, que fiz com o intuito de te ajudar caso tenha menos de 8 dias. Na descrição do meu relato verá todo o passo a passo detalhado da minha experiência por lá. Não deixe de ler e de visitar este lindo lugar!


ABSTRACT

In this big manual you will find everything you need to get to know the Chapada dos Veadeiros, in Goiás/Brazil. It was an 8 day trip, of which 2 were of mobilization. During the 6 days of tour, it were covered about 700 km by car to 15 natural attractions of the region. This post shows you how to prepare for this trip and a ranking of the attractions that impressed me the most, which I made with the intention of helping you if you have less than 8 days. In the description of my story you see all the step by step of my experience. Be sure to read and to visit this gorgeous place!


ÍNDICE DO RELATO

INTRO

RESUMO ROTEIRO

DIREÇÕES

DECIDINDO A LOGÍSTICA

De Carro

De Ônibus

Hospedagem

AGÊNCIAS BANCÁRIAS

QUANDO IR?

RANKING DAS ATRAÇÕES

RESUMO DE GASTOS

Despesas Gerais

Passeios

OK. QUE COMECE O RELATO!

1º DIA – São Paulo -> Alto Paraíso

2º DIA – Almécegas I, II e São Bento

3º DIA – Catarata dos Couros

4º DIA – Capivara e Santa Bárbara

5º DIA – Mirante Janela do Abismo

6º DIA – Trilha dos Saltos e dos Cânions

7º DIA – Cachoeira do Segredo e Vale da Lua

8º DIA – Retorno à São Paulo


INTRO

Normalmente quando arrumo alguma folga me lanço pra algum passeio na natureza, para lugares com trilhas extensas que me proporcionarão paisagens únicas e inalcançáveis de carro.

Mas este fim de ano eu estava mais relax.

Ao conseguir 1 semana livre do trampo para a virada do ano (2015/2016) chamei minha grande amiga Dayse para fazer um passeio natural. Ela sugeriu o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV) situado no norte do estado de Goiás, mas eu estava um pouco hesitante porque tinha ouvido falar que uma semana seria muito tempo para conhecer as atrações da região. Mal sabia eu que estava redondamente enganado 🙂 ainda deixamos de visitar vários lugares que estavam na lista.

O motivo derradeiro para escolhermos a chapada neste fim de ano foi o preço das passagens aéreas para Brasília, R$ 230 ida e volta pela GOL. As outras cidades brasileiras excedem facilmente os mil reais para esta época, principalmente comprando com apenas duas semanas de antecedência como fizemos.

Durante o planejamento vimos que não enfrentaríamos muitas aventuras
já que a maioria das trilhas são bem curtas, entre 1 e 2 km. As únicas um pouco mais longas possuem não mais que 16 km, porém elas são predominantemente planas e com o caminho bem batido.

Bora lá então!!!
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RESUMO ROTEIRO

Roteiro Completo

Coloquei este mesmo roteiro no Wikiloc, no seguinte link.

1º DIA: Avião de São Paulo à Brasília. Deslocamento de carro Brasília à Alto Paraíso de Goiás

2º DIA: Cachoeiras Almécegas I e II e Cachoeira São Bento

3º DIA: Catarata dos Couros (Cachoeira da Muralha e Almécegas 1000)

4º DIA: Deslocamento para Cavalcante, Cachoeiras Capivara e Santa Bárbara e regresso Alto Paraíso

5º DIA: Mirante Janela do Abismo

6º DIA: Parque Nacional. Trilhas dos Saltos + Trilha dos Cânions

7º DIA: Cachoeira do Segredo e Vale da Lua

8º DIA: Regresso à São Paulo

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DIREÇÕES

Direções para chegar no parque saindo de Brasília:

  • Saindo de carro do aeroporto siga pelas placas sentido Asa Norte, depois pelas as placas sentido BR-020.
  • Após sair da capital e passar por Planaltina tem que ficar atento pois as indicações pra sair para a BR-010 não são tão claras.
  • Pegue a direita após o km 33.
  • A BR-010 se torna a GO-118 após a fronteira do Distrito Federal com o estado de Goiás e daí é só ir reto toda vida por mais 160 km.
  • No total foram percorridos 233 km do aeroporto de Brasília até Alto Paraíso de Goiás

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DECIDINDO A LOGÍSTICA

De Carro

Para conhecer a região acredito que a melhor opção seja alugar um carro pois os principais atrativos distam até 100 km entre si. Vi diversas pessoas dizendo que não alugaram carro e tiveram que desembolsar uma grana alta para as agências os levarem nos passeios. Muito mais que os R$ 550,00 que pagamos para ficar com um Uno Way guerreiro alugado antecipadamente na Avis Budget do aeroporto internacional de Brasília. Dividindo em duas pessoas fica ainda mais em conta.

O carrinho aguentou o tranco e olha que não faltaram estradas de terras e buracos para ele enfrentar. A única coisa triste é o valor da gasolina e do álcool da região. Gastamos cerca de R$ 300,00 de combustível sendo que rodamos 1.200 km.


De Ônibus

Se decidir ir de ônibus precisará ir até a Rodoviária Interestadual de Brasília, localizada a 10 km do aeroporto. A empresa que realiza o trecho Brasília -> Alto Paraíso é a Real Expresso ao valor aproximado de R$ 50,00. Os horários são limitados então fique esperto em alinhá-los com a hora de chegada do avião. De Alto Paraíso para São Jorge o melhor meio é fretar um transfer nas pousadas ou campings.


Hospedagem

Existem três opções principais de cidades para se hospedar nos arredores da chapada, Alto Paraíso de Goiás, São Jorge e Cavalcante.

Estávamos em dúvida entre Alto Paraíso e São Jorge, uma vez que já tínhamos descartado Cavalcante por ficar muito distante da entrada do parque. Como não encontramos hospedagem em São Jorge optamos por Alto Paraíso mesmo.

Como tudo foi decidido em cima da hora e justo na época de final de ano, não tínhamos muitas opções de lugares e pra piorar os preços estavam lá em cima.

Há boas opções de camping em São Jorge ao valor de R$ 50,00 por cabeça por dia, mas as pousadas já estavam lotadas. Como estávamos buscando um pouco mais de conforto e não havia opções em São Jorge procuramos por hospedagem em Alto Paraíso.

Fechamos na Pousada Avalon, localizada próximo à entrada da cidade pela avenida principal (Avenida Ari Ribeiro Valadão Filho). O dono se chama Nilton e é um local extremamente solícito que gosta bastante de conversar… Nos passou diversas informações interessantes sobre a história da região e sobre os principais passeios turísticos.

As diárias saíram por R$ 270,00 já incluindo o desconto de 10% do Booking.

Apesar de ter gostado de Alto Paraíso acho que São Jorge talvez fosse a melhor opção para ficar. É necessário passar pela vila de 500 habitantes para entrar no parque nacional e ela é bem simpática. Suas ruas são de terra e há diversas opções de restaurante e uma pracinha amistosa. Além do que, fica situada bem na entrada do parque.

Ao meu ver, a melhor opção para curtir a chapada sem carro é ficar em São Jorge e tentar pegar carona nos dias que decidir ir para as atrações mais distantes ou encontrar um pessoal pra dividir os passeios.
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AGÊNCIAS DE TURISMO

Creio que dê pra se virar sozinho tranquilo na Chapada dos Veadeiros. Mas caso queira uma agência para te ajudar, seguem contatos de algumas agências consagradas:


AGÊNCIAS BANCÁRIAS

Em São Jorge não há agências bancárias e em Alto Paraíso você encontrará agências apenas do Banco do Brasil e do Banco Itaú, ambas na avenida principal da cidade. Seguem infos de ambos os bancos:

Banco Do Brasil S.A.
Agência Alto Paraíso de Goiás (GO)
Avenida Ari Valadão Filho, 690 – Centro
CEP: 73.770-000
Tel.: (62) 3446-1323

Itaú Unibanco S.A.
Agência Alto Paraíso de Goiás (GO)
Av. Ari Ribeiro Valadão Filho, 767 – Centro
CEP: 73.770-000
Tel.: (11) 5019-8135

Se você não possuir conta nestes bancos sugiro que leve ao menos R$ 500,00 em dinheiro para pagar a entrada nos passeios e refeições. O restante das despesas pode ser pago com cartão.
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QUANDO IR?

Segundo o site do ICMBio o parque fica aberto o ano todo (mas fecha toda segunda-feira, não esqueça). O período de seca vai de maio a outubro e o de chuvas de novembro a abril.

Nós fomos em dezembro e as cachoeiras não estavam no máximo de seu volume. Recomendo fevereiro e março.
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RANKING DAS ATRAÇÕES

Vou colocar um ranking de minhas prioridades para o caso de você possuir menos de 8 dias para a viagem e quiser moldar o seu roteiro. Lembre-se que isto é apenas a opinião de um viajante. Não me julgue hahaha.

1 – Mirante Janela do Abismo: nem estava nos meus planos (como poderá ver na descrição do relato) e tomou o primeiro lugar no ranking. Pois é, aqui você não vai entrar na cachoeira e nem ficar de boa tomando sol, mas é o panorama mais incrível do PNCV e a visão mais representativa do que á a Chapada dos Veadeiros.

2 – Catarata dos Couros: só não coloquei no topo da lista porque não fica no parque e não ia fazer você visitar uma atração fora do parque caso você só tivesse 1 dia haha. A Cachoeira Almécegas 1000 e os cânions que compõem o panorama são um dos cenário mais bonitos que presenciei na minha vida.

3 – PCNV – Trilha dos Saltos: ótimas vistas do Vale do Rio Preto, dos Saltos do Rio Preto e do Salto 80. Se tiver priorizado o mirante, o que eu duvido que faça, pode deixar esta atração em quarto lugar e subir a próxima atração.

4 – Cachoeira de Santa Bárbara: Uma cachoeira um pouco diferente das encontradas na região. Se destaca por se encontrar dentro de zona de vegetação densa e por possuir uma água bem clarinha. Foi difícil deixá-la em quarto lugar…

5 – Cachoeira do Segredo: Longa caminhada para uma queda muito charmosa que forma um lindo poção situado entre dois paredões. Um panorama bem peculiar.

6 – Cachoeira Almécegas I: cachoeira demasiadamente bonita e de fácil acesso. Não se preocupe, esta você irá conhecer.

7 – PCNV – Trilha dos Cânions: está nesta colocação principalmente pela cachoeira das Carioquinhas, que se destaca pelas suas diversas quedas. O Cânion II também é bem interessante, vale a visita. Pra mim vale a pena fazer as duas trilhas dentro do parque no mesmo dia, o que colocaria esta atração lá em cima junto com a Trilha dos Saltos.

8 – Vale da Lua – possui formas erosivas interessantes. Fácil acesso. Vale a visita.

9 – Cachoeira da Muralha: se por algum infortúnio não visitar a Almécegas 1000, o que muitas pessoas fazem, a Muralha fica em nono lugar.

10 – Cachoeira da Capivara: muito provável que a visite junto da Santa Bárbara. É bem bonita, mas nada de muito exclusivo que não tenha contemplado em outras cachoeiras.

11 – Cachoeira São Bento: provavelmente irá conhecê-la quando for para a Almécegas I. Tem um poço legal para saltar.

12 – Cachoeira Almécegas II: também fica próxima à Almécegas I, então já que está aqui pode ir na II também.

Rankings são sempre polêmicos. Muita gente prefere as atrações do parque e também li relatos que priorizam a Cachoeira do Segredo. Mas por favor, não deixem de fazer o Mirante Janela do Abismo e a Catarata dos Couros… Valem muito a pena!!! E se conseguir fazer as duas trilhas do parque em um dia só, eu te garanto que serão 3 dias inesquecíveis e bem representativos da Chapada dos Veadeiros 🙂

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RESUMO DE GASTOS

Seguem os gastos gerais para duas pessoas em 2015-2016:

Despesas Gerais

  • Avião Ida e Volta São Paulo -> Brasília = R$ 460,00
  • Hospedagem 7 noites em Alto Paraíso = R$ 270,00 * 7 = R$ 1.890,00
  • 7 Diárias Aluguel de Carro Uno Way = R$ 550,00
  • Combustível 1.200 km rodados = R$ 300,00
  • Jantar 7 noites. Preços de R$ 50,00 a 120,00 por dia. = R$ 500,00
  • Total Despesas Gerais para duas pessoas = R$ 3.700,00

Passeios

  • Cachoeiras Almécegas I e II e São Bento = R$ 20,00 * 2 = R$ 40,00
  • Catarata dos Couros = Free (a não ser que os sem-terra peçam grana)
  • Capivara e Santa Bárbara em Cavalcante = R$ 45,00 * 2 = R$ 90,00
  • R$ 10,00 por pessoa para o mirante Janela do Abismo = R$ 20,00
  • A entrada no Parque Nacional é gratuita.
  • Cachoeira do Segredo = R$ 40,00 * 2 = R$ 80,00
  • Vale da Lua = R$ 20,00 por pessoa * 2 = R$ 40,00
  • Total Despesas Passeios para duas pessoas = R$ 270,00

Total Geral Para Duas Pessoas (2015-2016) = R$ 3.970,00
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OK. QUE COMECE O RELATO!

Compramos passagens de avião de ida para o Natal e regresso para o Ano Novo, o que barateou consideravelmente os custos. Iniciamos a trip no dia 25/12/2015 e regressamos no dia 01/01/2016.

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1º DIA – São Paulo -> Alto Paraíso

Eu e Dayse fomos para o Aeroporto de Congonhas em São Paulo e entramos no avião às 14:00 no dia de Natal.

Chegamos em Brasília umas 15:30, batemos um rango no aeroporto Juscelino Kubitschek, que é muito bonito por sinal, e fomos na Avis pegar o carro. Entramos na caranga por volta das 16:30 e saímos em direção a Alto Paraíso de Goiás.

Percorremos 233 km até chegar no nosso destino.

Pôr do Sol
Pôr do sol de boas-vindas na chegada em Alto Paraíso

Tome cuidado ao pedir informações em Alto Paraíso. Mesmo sendo uma cidade pequena nos jogaram para vários lados até encontrarmos a Pousada Avalon. Isso tudo porque existe um restaurante famoso chamado Avalon também.

Jantamos na avenida principal e fomos dormir.
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2º DIA – Almécegas I, II e São Bento

Depois de um longo dia de viagem estávamos exaustos, o que fez com que acordássemos as 11 da manhã. Não é lá horário pra se acordar quando se quer fazer turismo, mas Alto Paraíso é a Miami das aventuras heheh.

Tomamos um cafezão bem servido e saímos em direção às Cachoeiras Almécegas I, II e São Bento, as quais ficam todas na mesma fazenda situada a 9 km de Alto Paraíso seguindo pela GO-239 que vai pra São Jorge.

A essa hora seria o passeio mais viável a ser feito. Existem outros passeios próximos também, que não priorizamos e não tivemos tempo de conhecer, como as cachoeiras Loquinhas e dos Cristais. A primeira está situada a 3 km de Alto Paraíso e você pode encontrar placas para a cachoeira ao passar pela Praça do Bambu. Já a segunda fica a 5 km da cidade seguindo para norte na rodovia GO-118 para Cavalcante.

Acompanhe as direções no meu tracklog do Wikiloc neste link.

Partimos às 14 para as Almécegas e São Bento. A sinalização é bem fácil e após 9 km há uma saída para a esquerda. Na entrada da fazenda podes escolher entre pagar R$ 20,00 pelas três cachoeiras ou R$ 10,00 só pela São Bento, que dá pra ir a pé da entrada. Para as Almécegas é necessário percorrer mais 5 km de estrada de terra. Optamos pelas três e de fato vale a pena.

Entrada Almécegas
Entrada Almécegas

Começamos pela Almécegas I. Após 4 km de estrada boa, mas que se chover pode lascar, surge a bifurcação separando a I da II. Pegamos a esquerda que já dá de cara pro estacionamento.

A trilha é curta. São 1,1 km por um caminho fácil andando pelo cerrado. Após 800 m surge o belíssimo mirante para a cachoeira Almécegas I. Não imaginávamos que veríamos ela de cima, quase um panorama de drone haha.

Bem como boa parte das cachoeiras da região, a Almécegas I corre sobre o quartzito da região e é composta por dezenas de quedas de 2 a 5 metros de altura em vários patamares distintos compondo a cachoeira principal, a qual possui cerca de 45 metros de altura. Muito linda!

Cachoeira Almécegas I
Mirante para a Cachoeira Almécegas I

Os 300 metros finais de trilha são para chegar para a base da cachoeira. Apenas os 100 metros finais do caminho podem apresentar algum nível de dificuldade para quem não está acostumado a andar, devido ao desnível acentuado. Há inclusive algumas cordas para auxiliar. Mas não há segredo.

Logo chegamos em sua base e a visão é ainda mais admirável de baixo. Ela possui um poço bem gostoso pra banhar e é possível entrar embaixo das quedas. Uma delas cai sobre o poço num ponto que não dá pé e outra termina em cima de pedras e podes sentar ali tranquilo para sentir o impacto da água. Apenas cuidado pois elas são extremamente lisas.

Almécegas I
Linda Almécegas I

O cenário se torna ainda mais bonito pois na base da cachoeira o rio corre perpendicular à parede da mesma e entalha um lindo cânion. Cenário bem único! O primeiro de muitos que a chapada revelaria!

Depois de cerca de duas horas curtindo a Almécegas I fomos pra a II. Volta-se pelo mesmo caminho até chegar no estacionamento. Pegamos o carro e viramos à esquerda na direção da placa que acusava Almécegas II. Após 5 minutos chegamos no outro estacionamento e percorremos uma trilha bem fácil de 500 m de comprimento.

Não há como comparar a Almécegas II com a I. A segunda possui cerca de 5 metros de altura e cai em dois níveis, formando um patamar agradável para descansar. Apesar de possuir um bom poço para banho e um local alto pra saltar, a beleza da Almécegas I é bem superior.

Almécegas II
Almécegas II

Como estava muito cheio e já era tarde, nem paramos para banhar. Regressamos e fomos para a entrada da fazenda. Lá deixamos o carro e andamos 600 m até a cachoeira de São Bento.

O mais interessante na São Bento é o extenso poço que se forma aos pés da cachoeira. A queda possui cerca de 7 metros e cai livre sobre as rochas, tornando possível tomar uma ducha bem debaixo da mesma.

Cachoeira São Bento
Cachoeira São Bento e a pedra pala pular no canto direito da foto

Ao lado esquerdo da cachoeira há uma parede natural muito boa para saltar.

E foi isso. Ficamos uma horinha na São Bento e regressamos para Alto Paraíso.

Demos uma volta no centro de Alto Paraíso, jantamos e fomos para o hotel.

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3º DIA – Catarata dos Couros

Mais um dia de preguiça e saímos da pousada ao meio dia. Evite sair tarde para aproveitar melhor o dia, mas se estiver no ritmo de férias também não é o fim do mundo, dá pra fazer boa parte dos passeios ainda assim.

Pegamos a rodovia GO-118 sentido Brasília e percorremos 20 km no asfalto até encontrar a estrada de terra para a Catarata dos Couros e mais 31 km de estrada de terra até o estacionamento dos Couros. A sinalização para encontrar a saída para a estradinha é boa, porém a partir daí não há muitas placas, sendo que existem ao menos três bifurcações confusas.

Baixe meu tracklog da Catarata dos Couros para se orientar. Segue aqui o link.

A Catarata dos Couros fica situada numa área ocupada por um assentamento de sem-terra. Há um povoado a 21 km do início da estrada de terra e os sem-terra ficam na beira da estrada pedindo uma contribuição financeira.

Não demos nada, mas talvez fosse prudente ter dado…

A estrada piora um bocado após encontrar o povoado, ficando mais estreita e com maior número de subidas e descidas.

Cerca de 2 km após o povoadinho surge a primeira bifurcação sem sinalização. Lembre-se das direções:

  • Pegue a direita logo após o assentamento;
  • Próxima bifurcação será 3 km a frente. Siga à esquerda;
  • A última bifurcação surge 300 m a frente. Siga novamente à esquerda;
  • Após mais 5 km você chegará no estacionamento para iniciar a trilha.

O Uno Way deu conta de percorrer os 31 km totais nesta estrada de terra, mas se tivesse chovido uns dias antes ficaria complicado… é bom se preocupar pois choveu durante a tarde e aumentou o número de pontos alagados no caminho de regresso. Pontos que o Uno conseguiu passar, mas nunca se sabe quais surpresas a chuva pode proporcionar…

Caminho para os Couros
Porção boa da estrada até a Catarata dos Couros

Bom, deixamos o carro um pouco antes do estacionamento para a trilha pois os últimos 200 metros são os piores da estrada.

Após começar a andar, encontrará uma bifurcação a 500 m do início da trilha. Para a direita seguirá para a Cachoeira da Muralha e para a esquerda chegará na Cachoeira Almécegas 1000 e em outras quedas que compõem a Catarata dos Couros.

Cachoeira da Muralha:

Seguindo para a direita logo se chega na margem esquerda do rio dos Couros. Atravessa-se um braço do rio, anda-se pelas pedras e poucos metros adiante a visão surpreende.

Aqui o Rio dos Couros possui aproximadamente 100 metros de largura, se considerar as suas ilhazinhas, e a cachoeira chega a 10 m de altura.

Entretanto, devido ao baixo volume de águas, havia 3 quedas d’água principais que juntas somavam 20 m de largura. É lindo ver diferentes quedas sendo formadas numa parede tão extensa, ainda que não muito alta.

Cachoeira da Muralha

Cachoeira Almécegas 1000:

A princípio achávamos que a Muralha fosse a Catarata dos Couros. Ficamos de boa curtindo o lugar e aqui ficaríamos o resto do dia. Porém, por sorte eu havia baixado o tracklog de ambas e fomos checar para onde daria a outra trilha que estava marcada no meu GPS.

Voltamos para a bifurcação acima mencionada e seguimos margeando o rio.

Cerca de 1 km adiante é possível notar que o rio some num abismo. Estávamos em cima do que parecia ser uma cachoeira esplendorosa!!

Para a minha alegria, a trilha seguia paralelamente ao abismo numa descida bem acentuada.

O mato dá uma adensada, mas cerca de 15 metros para baixo há um mirante que fornece uma visão sem igual!

Almécegas 1000
Vista aérea da Cachoeria Almécegas 1000

A cachoeira possui cerca de 50 metros de altura e vai cascateando pelo quartzito de maneira incrível, formando dezenas de cachoeiras menores de modo similar à Almécegas I, porém com muito mais potência e em um cenário mais deslumbrante ainda!

Foi então que me liguei que a Catarata dos Couros na verdade é um complexo invocado formado pelo Rio dos Couros que se inicia na Cachoeira da Muralha, percorre 1 km até a Almécegas 1000, depois o rio ainda forma duas quedas livres de cerca de 7 metros de altura cada até cair numa terceira queda a qual termina num cânion, este que contorna morros e se perde de vista num cenário surreal e dos mais bonitos da região!! Ufa!

Para se ter uma melhor vista deste cânion, há uma trilha que continua da cachoeira da Almécegas 1000 até um “mirante”. Entre aspas porque não há um local em que se tem uma vista limpa, mas no meio da trilha se tem incríveis visuais.

Cânion lindo
Visual sem igual

Para finalizar este dia, voltamos para a trilha e descemos até o rio, num ponto em que havia uma laje na pedra que fica entre a base da Almécegas 1000 e o cânion. Lugar perfeito pra se banhar e admirar uma bela paisagem.

Couros

Que lugar! Já tinha valido a viagem!

Fizemos a trilha de regresso e chegamos no nosso Uninho. Enfrentamos a estrada de terra junto com seus pontos de alagamento, caímos no asfalto e chegamos em Alto Paraíso umas 19 horas.
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4º DIA – Capivara e Santa Bárbara

Segunda-feira o parque não abre então programe-se para fazer algum passeio fora dele, obviamente. Escolhemos ir para Cavalcante pra conhecer duas das principais atrações no entorno da cidade: cachoeira da Capivara e Santa Bárbara.

Hoje não tínhamos desculpa e tivemos que acordar cedo. Isto porque o município de Cavalcante dista cerca de 110 km de Alto Paraíso e o tour para visitar ambas as cachoeiras é longo.

Despertamos às 8 e partimos sentido norte pela GO-118 rumo a Cavalcante.

Pelo caminho passamos pela entrada da Cachoeira dos Cristais (a 5 km de Alto Paraíso) e pelo Poço Encantado (a cerca de 53 km de Alto Paraíso).

A estrada é de asfalto e muito boa até a pequena cidade de Teresina de Goiás, situada a 65 km de Alto Paraíso.

Agora, de Teresina a Cavalcante são 20 km de estrada de asfalto esburacada. Evite correr.

Seguem direções do tracklog upado no Wikiloc neste link.

Assim que chegamos em Cavalcante já demos de cara com o centro de informações turísticas. Fizemos bem de parar pois descobrimos que há a obrigatoriedade em contratar um guia, uma vez que as atrações do dia ficam situadas dentro de uma reserva quilombola Kalunga. Inclusive são os próprios quilombolas que te recebem no centro de informações e daqui mesmo já oferecem a opção de contratação de um guia.

O guia cobra R$ 70,00 para um grupo de até 6 pessoas. Passando disso eles cobram 15 por cabeça. Para minha sorte e da Dayse chegamos no centro juntos com um grupo de 6 pessoas, que gentilmente aceitaram dividir um guia conosco. Fomos em três carros distintos então nem precisamos dar carona para a nossa guia, a simpática Celuta.

Abastecemos e partimos para a comunidade quilombola Kalunga pela rodovia GO-241. São 25 longos kms de estrada de chão até ela. No meio do caminho, a 12 km de Cavalcante, passamos pelo Mirante da Nova Aurora que mostra a vista de uma bela serra.

Os quilombolas preservam uma vila bem simples e sem muita infra-estrutura, com boa parte das casas feitas com palha e adobe. A Celuta nos levou até a casa em que fazem a cobrança da entrada de R$ 20,00 por pessoa e de um guia a R$ 80,00 para quem não contratou na cidade.

Comunidade Quilombola Kalunga
Vila dos Quilombolas

Começamos pela Cachoeira da Capivara, pois a Santa Bárbara estava no limite de sua capacidade. Cerca de 1,5 km de estrada separam a comunidade do estacionamento da Capivara.

A trilha para a cachoeira possui cerca de 600 m e se inicia em uma mata densa até encontrar o rio Maquiné, onde tem um belo pocinho. Após atravessá-lo se inicia uma descida acentuada que possui aproximadamente 50 m.

Chegando lá embaixo é possível notar que a Capivara possui bastante espaço… Deveriam ter mais de 100 pessoas ali.

Sua beleza não deixa a desejar. A Cachoeira da Capivara é mais uma que desce cascateando por uns 100 m de distância pelas rochas, sem formar uma queda livre, e possui cerca de 20 m de desnível por 20 de largura em sua base.

Ela forma um poço extremamente simpático e bom para banho, sendo que o chão dá pé na maioria das porções sob a queda.

Uns 50 metros para a esquerda há uma outra queda pertencente a um outro rio, formando uma cachoeira de uns 15 m de altura por não mais que 2 de largura. Sob esta segunda queda o poço não da pé.

Cachoeira da Capivara
Charmosa Capivara

As duas se encontram ao cair no mesmo poço e depois formam uma nova cachoeira a jusante do lago. Pra completar o Rio Maquiné continua por um belo cânion a se perder de vista.

Depois de 1 hora aqui subimos e voltamos para o carro para dirigir até a Santa Bárbara, a qual possui uma logística mais complexa para ser visitada.

Entramos no carro, andamos 1,5 km de estrada até chegar num ponto em que a estrada cruza o Rio Maquiné.

Como carro baixo não consegue passar, tivemos que fechar um “taxi” até o pé da trilha. Os locais já ficam esperando da outra margem do rio pra levar a galera e cobram R$ 5,00 por pessoa só a ida numa picape. A volta são mais 5…

Após 5 km de carona chegamos no estacionamento às 15:30.

O trekking é bem tranquilo e se estende por uma planície por uns 2 km até chegar no rio Capivara, afluente do Maquiné. O caminho continua por entre as árvores do rio e logo se encontra a Santa Barbinha, uma queda de 2 metros com um poço com água extremamente límpida, bem bonita.

Santa Barbinha
Santa Barbinha, pouco metros antes de chegar na Santa Bárbara

Adiante na trilha por entre as árvores e pedras subindo o rio, logo se avista a incrível Cachoeira Santa Bárbara!

O cenário se resume no seguinte:

– uma área de vegetação densa que dá uma misticidade ao lugar

– uma linda queda de 30 m metros de altura por 2 de largura

– um poço de cerca de 20 metros de diâmetro ótimo para banho

– e o melhor: a cor azulzinha da água e sua transparência quando os raios de Sol incidem sobre o poço

Cachoeira Santa Bárbara
Lindíssima Cachoeira Santa Bárbara

Não me lembro de ter visitado algum lugar com a peculiaridade deste local. Realmente impressionante!!

Li em vários lugares que é aconselhável ir na Santa Bárbara por volta do meio dia para ver os raios de Sol incidindo diretamente sobre o poço. Acredito que ao meio dia deva ser mais impressionante, mas se você se atrasar por algum motivo, até as 16 ainda é possível observar o remanescente deste efeito.

Curtimos um bom banho e relaxamos no Sol por cerca de 1 hora até a Celuta nos chamar para ir embora.

Regressamos até o início da trilha, voltamos até nossos carros e seguimos para Cavalcante. Almoçamos um bom rango no restaurante Flor do Cerrado e voltamos para Alto Paraíso. Chegamos no hotel por volta das 20 h.
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5º DIA – Mirante Janela do Abismo

Restavam 3 dias de viagem e havia 4 lugares que ainda gostaríamos de conhecer. Planejamos visitá-los da seguinte maneira:

– 5º dia: Trilha dos Saltos no Parque Nacional

– 6º dia: Trilha dos Cânions no parque Nacional

– 7º dia: Cachoeira do Segredo e Vale da Lua

Pois é, o mirante Janela do Abismo não consta nesta lista, nunca nem tínhamos ouvido falar dele… Este quarto dia foi uma grande surpresa e bagunçou todo o resto da viagem. Adoro as surpresas de viagem.

Eis o conto:

Uma vez mais perdemos a hora e levantamos às 10. A princípio não haveria problema, pois, a Trilha dos Saltos possui cerca de 10 km de extensão total e mesmo que chegássemos no parque depois do meio dia é possível fazer a trilha em menos de 4 horas.

Chegamos na portaria do parque às 11:30. Para a nossa frustração não pudemos entrar pois o parque possui uma restrição quanto ao número de visitantes, que não pode exceder o total de 500 pessoas por dia. Ainda que algumas pessoas já tenham saído, uma vez que 500 assinaram o livro ninguém mais entra.

Pois bem.

Resolvemos, então, partir em direção à Cachoeira do Segredo.

Estávamos voltando sentido São Jorge, quando encontramos uma estradinha para a direita, cerca de 400 m da entrada do parque, a qual possuía apenas uma placa marrom com o símbolo de uma máquina fotográfica e a indicação “mirante”.

Imaginávamos que seria apenas um mirante no topo do morro alcançável por carro e resolvemos tentar conhecê-lo rapidinho.

E foi que a falta de planejamento e pesquisa fez com que tivéssemos um dia fantástico com uma recompensa impensável.

Avançamos cerca de 1 km de carro pela estradinha do mirante até que tivemos que largar o Uninho e prosseguir a pé pois a estrada estava deveras esburacada e a partir daqui era só subida. Não quisemos correr o risco, mas se tiveres um carro 4×4 passará tranquilamente.

Subimos a pé até que o morro aplaina no topo bem onde a estrada bifurca. Escolhemos o caminho da direita e 300 metros adiante chegamos no estacionamento para o mirante.

O estaciona era o topo do morro e ainda não havia nada que fosse similar a um mirante. Aqui tens que entrar numa trilhazinha que estranhamente começava a descer.

O estacionamento é marcado por um símbolo interessante: no centro há um tronco de árvore cortado com um bloco de rocha pontiagudo em cima e um outro tronco seco deitado sustentado pela ponta da rocha. Este símbolo é conhecido como Árvore do Silêncio.

Árvore do Silêncio
Árvore do Silêncio no estacionamento para o mirante

A trilha descia e descia, a vegetação de cerrado tomava um porte mais generoso e descemos por mais 800 m até encontrar uma casinha. Neste ponto havia uma placa:

“Mirante Janela do Abismo – 3 km –>” (mas na verdade são 2,6)

E foi quando percebemos que o acesso não era tão simples assim hahaha

Deixamos R$ 10,00 por pessoa na mão de um tiozinho figura que oferece café e assinamos um livro. Agora o objetivo do dia já tinha mudado e, por já ser 13:00 h, já havíamos descartado a Cachoeira do Segredo.

Sorte que não fomos, pois 2 dias mais tarde descobriríamos que o acesso para o Segredo era bem longo, a qual viria a ser a última grande surpresa da viagem hahhah.

A trilha para o Mirante Janela do Abismo apresenta uma dificuldade um pouco maior frente ao tipo de trilhas que estávamos fazendo. Há alguns trechos de subida e descida acentuados, mas nada de absurdo.

Saindo da casa do tio percorre-se aproximadamente 2 kms pelo trecho mais plano por entre a vegetação mais densa.

No caminho para o mirante encontrará indicações para a Cachoeira do Abismo.

Ao chegarmos no paredão que seria a cachoeira lamentamos não ser possível contemplá-la já que o rio estava sem água. Se você visitar a região em época de chuvas provavelmente verá a beleza desta cachoeira, que deve possuir cerca de 10 metros de altura.

Cachoeira do Abismo
Cachoeira do Abismo

O quilômetro final se inicia por uma descida para um vale com um cerrado menos vistoso e por fim sobe um morro inclinado.

Apesar da ascensão ser rápida, o grau de inclinação é tal que é necessário usar as mãos para se agarrar nos galhos.

Após um ganho de 80 m de desnível chegamos no topo do morrote, porém não dava uma sensação de cume atingido pois havia uma infinidade de matacões de quartzito bem curiosos de até 6 metros de altura que tampavam a visão do que seria o mirante. Portanto, para se ter uma visão do mirante é necessário subir algum destes blocos de rocha.

No final da trilha torne a direita e verás um outro bloco que possui patamares que facilitam a sua subida.

Neste momento estávamos com a sensação que tínhamos optado pelo passeio errado, já que nos desgastamos um bocado para chegar aqui e possivelmente não conseguiríamos fazer mais nada neste dia.

Todaviaaaa, ao subirmos o matacão descobrimos que o Mirante Janela do Abismo revela simplesmente a visão mais representativa da Chapada dos Veadeiros!! 🙂

Simplesmente se tem a vista monumental de 180º do Vale do Rio Preto, um imenso vale de aproximadamente 500 metros de largura e até 280 m de profundidade.

Vista do mirante
O imponente Vale do Rio Preto

De cara é possível ver os magníficos Saltos do Rio Preto, ou Salto 120, cachoeira mais famosa do parque nacional e da região. São duas quedas de 120 metros de altura que formam lindos véus que se chocam com um incrível poço de cerca de 100 metros de diâmetro. Nem tínhamos ideia que este mirante forneceria vistas do interior do parque.

O Vale do Rio Preto revela incríveis chapadões de quartzito de até 200 m de altura e estávamos no melhor ângulo possível para observá-los.

Ficamos mais de uma hora relaxando e contemplando. Estávamos maravilhados.

Janela do Abismo
Eu e Dayse no Mirante Janela do Abismo

Este dia foi bem interessante. Perdemos a hora, não pudemos entrar no parque e caímos numa trilha que não tínhamos a mínima ideia do que revelaria. Se tivéssemos conseguido seguir nosso planejamento, não teríamos conhecido o Mirante Janela do Abismo, sem dúvida um dos pontos imperdíveis para visitação.

Voltamos pela mesma trilha e quando chegamos no carro já passava das 16:30.

Como os dias estavam escurecendo após as 20:00 h fomos procurar algum passeio mais curto. Infelizmente descobrimos que a grande maioria fecha para visitação às 17:00 h. Fomos até o Vale da Lua e não pudemos entrar. Depois regressamos para Alto Paraíso e também não conseguimos entrar nas Loquinhas.

Pois é, o dia acabara e não cumprimos nenhum dos objetivos que traçamos no início deste dia. Não houve problema, pois, este quinto dia foi fantástico, mas ainda queríamos conhecer as mesmas atrações previstas, só que agora em 2 dias ;).

Ah, o tracklog da trilha deste dia se encontra neste link.
(índice)


6º DIA – Trilha dos Saltos e dos Cânions

Como o título do dia sugere, decidimos fazer ambas as trilhas principais do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros no mesmo dia.

Você não precisa fazer o mesmo, afinal são dois trekkings de aproximadamente 10 km e, apesar das trilhas possuírem nível técnico baixo, andar 20 quilômetros para quem não tem o hábito pode ser bem desgastante, ainda mais sob o sol do verão de Goiás. Mesmo assim partimos nesta ideia.

O tracklog para as atrações do parque nacional está neste link.

Atrações de ambos os trekkings:

Trilha dos Saltos:

– Saltos do Rio Preto (Salto 120), Cachoeira do Garimpão (Salto 80) e Corredeiras

Trilha dos Cânions:

– Cânion I, Cânion II e Cachoeira das Carioquinhas

Hoje não tivemos opção e acordamos às 07:00. Se você conseguir se hospedar em São Jorge podes até acordar uma hora mais tarde.

Levantamos, tomamos um cafezão e fomos para o PNCV. É necessário assinar um caderninho no centro de visitantes e assinalar qual trilha pretende fazer. Avisei que queríamos fazer as duas e, apesar de ter me olhado estranho, o funcionário do parque permitiu que assinalássemos ambas.

É necessário assistir um vídeo de segurança e boas práticas no centro e depois pode partir para a trilha.

O vídeo de introdução indicou que a trilha para os saltos está sinalizada com marcações amarelas, enquanto a dos cânions está marcada em vermelho.

O início das trilhas se dá no mesmo local e ambas seguem juntas por 1 km até chegar numa bifurcação. O caminho para a direita é a trilha para os cânions enquanto para a esquerda era a trilha para os saltos.

Eis nosso roteiro para o dia:

  • Início pela trilha dos Saltos;
  • Ida ao Mirante do Salto 120 e vista do Vale do Rio Preto;
  • Ida ao Salto 80;
  • Visita às Corredeiras;
  • Regresso para a bifurcação que encontra a Trilha dos Cânions;
  • Ida até a Cachoeira das Carioquinhas;
  • Visita ao Cânion II (Cânion I estava fechado); e
  • Retorno até a entrada do Parque Nacional.
Mapa das trilhas do PNCV
Mapa das trilhas do PNCV

Como já informado todos os 20 quilômetros percorridos neste dia apresentaram grau baixo de dificuldade, andando sempre por trilhas relativamente planas e vegetação de pequeno porte.

Um adendo: Um modo fácil de completar ambas as trilhas seguindo um roteiro simples é sempre pegar à esquerda quando encontrar uma bifurcação.

Para chegar no mirante do Vale do Rio Preto e do Salto 120 você precisará andar cerca de 4 km, sendo os últimos 800 o único trecho de maior desnível do passeio (cerca de 130 m de descida).

A vista aqui era um outro ângulo daquele mesmo visual surpreendente contemplado no Mirante Janela do Abismo. Era possível observar de perto o Vale do Rio Preto e o Salto 120 e admirá-los de uma perspectiva mais próxima.

Saltos do Rio Preto
O lindo Salto 120 e seu poço

Deste ângulo, os Saltos do Rio Preto não aparecem por inteiro, pois há muitas árvores que obstruem a visão. O mirante dos saltos se situa a esquerda da queda, não tornando possível uma visão de frente dela, a não ser que vá para o mirante Janela do abismo.

Daqui há um caminho que chega no Salto 80, margeando a borda esquerda do rio por não mais que 600 m em trilha, que é aproximadamente a distância entre a cabeça do Salto 120 e o poço do Salto 80.

Neste trecho o Rio Preto corre sobre rochas e chega a ter 50 m de largura.

A Cachoeira do Garimpão, ou Salto 80, possui 80 metros de altura e não forma um véu como o Salto 120, porém também possui uma beleza cênica. Ela cascateia sobre o quartzito de uma maneira incrível.

Vista aérea do Salto 80
Salto 80 ou Cachoeira do Garimpão

O poço do Salto 80 é maior ainda, com cerca de 200 m de diâmetro. Aqui se pode tomar um banhão, mas há uma corda que impede o acesso até a base da cachoeira, para evitar acidentes.

Fiz um vôo de drone que mostra ambos os saltos 80 e 120 no mesmo vôo. É bacana observar a conexão entre as duas cachoeiras. Grandes atrações do parque não por acaso.

Vista aérea do Salto 120
Vista aérea do Salto 120

O que torna todo este panorama mais lindo é a vegetação exuberante que bordeja as margens do Rio Preto. O verde abundante colore o cenário com tal intensidade que até nos esquecemos que estamos no cerrado goiano.

Após tanta contemplação pegamos a trilha novamente sentido Corredeiras. Não necessita voltar até o mirante do Salto 120, pois há uma outra entrada a esquerda.

Após cerca de 1,5 km seguindo as bifurcações à esquerda, chegará numa pontezinha amistosa sobre um brejo, que se estende por cerca de 200 m, até alcançar as Corredeiras.

As Corredeiras nada mais são do que uma porção do Rio Preto em que ele cai por um pequeno desnível, não o suficiente para formar uma cachoeira, apenas para ser classificado como corredeira hahah.

Corredeiras
Dayse e as corredeiras

É um lugar bom pra banho, mas se você também pretende fazer ambos os trekkings do parque no mesmo dia é melhor não ficar muito tempo aqui.

Saímos das corredeiras e regressamos até o ponto de encontro da Trilha dos Saltos com a dos Cânions.

Finalizamos os primeiros 10 km às 14:00. Como nos foi informado que o parque fecha diariamente às 18:00, achamos que 4 horas seria o suficiente para andar os outros 10 km

Na Trilha dos Cânions existem menos bifurcações. A primeira só aparece depois de 3 km de uma caminhada tranquila, a qual separa a trilha para o Cânion II do caminho para a Carioquinhas.

Pegamos a esquerda em direção à Cachoeira das Carioquinhas, a qual dista 600 m desta bifurcação. Os últimos metros do caminho são uma descida brusca.

No meio da descida já era possível ver um dos lados da cascata. Um dos lados porque aqui o Rio Preto não forma simplesmente uma queda única. As Carioquinhas são muitas quedas de intensidades variáveis que se distribuem por um paredão curvo convexo de 20 m de altura por aproximadamente 50 metros de extensão. Ou seja, se você se banhar em um dos lados dela não poderá ver o outro. O panorama é fantástico.

Carioquinhas
A incrível Cachoeira das Carioquinhas

O local estava bem cheio de pessoas, que ficavam tomando um sol nas grandes lajes de pedra. Ficamos cerca de 1 hora aqui curtindo e partimos para o Cânion II.

Fizemos a subida de volta para a trilha e na primeira bifurcação que encontramos pegamos à esquerda (duh). Cerca de 1 km depois chegamos num ponto em que a trilha acaba no Rio Preto novamente.

É isso mesmo, todas atrações do parque envolvem este maravilhoso rio e, coincidentemente, fizemos todas elas na sequência subindo o rio.

Após sairmos da trilha seguimos as setas vermelhas que vão indicando o caminho por sobre as pedras do rio.

O Cânion II possui proporções bem diminutas para um cânion, porém o lugar é deveras interessante.

O Rio Preto é encurralado por duas paredes paralelas de 20 metros de altura por 80 m de comprimento e que distam cerca de 3 metros de distância entre si, que é onde o rio corre, obviamente. Logo onde o cânion inicia há uma cachoeira bem caudalosa com uns 4 metros de altura e logo depois o rio corre bem tranquilamente por entre as paredes do cânion. Sem dúvida vale a visita.

Cânion II
Cânion II. Não me pergunte do Cânion I

Não sei se por causa do horário, mas quando chegamos aqui não havia uma alma viva sequer e por ser tarde também não entramos na água e logo vazamos.

Comparativamente ao Cânion II, as Carioquinhas são mais apropriadas para banho, possuem ótimas quedas e melhores lugares para tomar sol.

Já eram 17:00 quando iniciamos o regresso para a entrada do parque. Engatamos um ritmo e voltamos numa boa para o nosso carrinho.

UFA, que dia longo!!

Pegamos o carro e voltamos para Alto Paraíso.

Nosso sexto dia havia sido um completo sucesso e agora tínhamos o sétimo e último para conhecer as últimas duas atrações que ainda queríamos visitar.
(índice)


7º DIA – Cachoeira do Segredo e Vale da Lua

Como não podia ser diferente nosso último dia na chapada nos trouxe mais incríveis surpresas por falta de planejamento 🙂

Acordamos cedo, tomamos um café e pegamos a estrada, que é pavimentada até São Jorge. Ande 10,5 km em estrada de terra na mesma rodovia e pegue uma saída a esquerda. Cerca de 1,8 km adiante se avista o estacionamento e o lugar de onde se inicia a trilha.

Descemos do carro e eis a primeira surpresa, é obrigatório fazer a trilha com guia e havia 15 pessoas esperando pelo guia que estava para chegar.

Cuidado com os horários dos guias. Nos foi informado que o trajeto completo levaria por volta de 7 horas de duração, ou seja, as últimas turmas saem por volta das 11:00 da manhã no verão. Mas também o guia nos disse que somente no verão se faz obrigatória a presença de um guia, visto que é a época de chuvas e há riscos de formação de trombas d’água nas nascentes dos rios, tornando possível um eventual alagamento.

O guia aceitou levar um grupo de 17 pessoas e cobrou R$ 15,00 por cada um. Como a maioria das atrações que ficam fora do parque nacional, a Cachoeira do Segredo fica dentro de uma propriedade privada e então é necessário pagar mais R$ 25,00 por cabeça.

Outra surpresa. Eu coloquei na cabeça que pra conhecer a Cachoeira do Segredo era preciso caminhar não mais que 3,5 km para alcançá-la. Porém, na verdade são 8 km de ida e mais 8 de volta, totalizando 16 km. O grande problema desta surpresa é que não sabíamos se conseguiríamos chegar ao Vale da Lua antes das 17 neste último dia.

Bom, conseguimos o guia e a turma e partimos rumo Cachoeira do Segredo.

E lembre-se, prepare-se para molhar os pés! Atravessa-se o Rio São Miguel umas 8 vezes, se não me engano, e outro riozinho umas 2 vezes! Não vale a pena tirar e pôr os calçados todas essas vezes.

O trekking se inicia numa porteira situada a 50 metros antes da chegada no estacionamento.

Em menos de 400 metros já se encontra a primeira atravessada do Rio São Miguel. Aqui ele está bem rasinho (só molharás os pés) e bem largo (20 m de largura), mas a cada ponto em que cruzas o rio ele fica mais estreito e mais profundo. Depois do rio andamos mais 400 m até alcançar uma outra porteira.

A partir daqui o caminho segue com alternância entre caminhos por estrada de terra e por trilha na mata e também varia o porte da vegetação.

Há algumas bifurcações. Seguem orientações:

  • Após a segunda porteira caminhamos 1,3 km na estrada até que pegamos à esquerda numa trilha.
  • Percorremos 1,6 km em trilha até encontrarmos novamente a estrada de terra e viramos à esquerda.
  • Andamos 150 m nela e saímos por uma outra trilha novamente pela esquerda.
  • Cerca de 2,8 km adiante aparece uma bifurcação e pegamos à esquerda.
  • Após mais 1,6 km de trilha e 3:30 h de caminhada, avistávamos o que seria a famigerada Cachoeira do Segredo!

Vou aproveitar as direções para deixar aqui o tracklog desta trilha neste link.

É sem dúvida um dos pontos mais incríveis da viagem.

A queda possui cerca de 80 m de altura por 5 m de largura e possui um comportamento um pouco peculiar em comparação às demais cachoeiras da região. Ela não forma um véu clássico, como os Saltos do Rio Preto, e nem se assimila com as cachoeiras que cascateiam em diversos patamares, como a Almécegas I.

Cachoeira do Segredo
Cachoeira do Segredo e seus 80 metros

O Segredo desliza quase que suavemente pelo paredão, que tem um inclinação muito próxima de 90º porém levemente positiva.

Talvez em um verão chuvoso ela mude de aspecto e apresente uma cortina d’água, já que o poço dela possui cerca de 100 m de comprimento por 60 de largura.

É possível nadar até a base da cachoeira e curtir uma ducha natural. Não dá pé mas dá pra se acomodar nas rochas para o banho ficar mais confortável.

Segredo
Segredo vista de baixo da queda

Uma particularidade do poço do Segredo é que ele está situado entre dois imponentes paredões, dando uma misticidade ao lugar.

A Cachoeira do Segredo é realmente fantástica e vale reservar um dia para ela.

Após meia hora que estávamos curtindo o lugar, o guia chamou todo o grupo para voltar pois começou uma chuvinha enjoada… Mas deu pra curtir.

Partimos em direção à entrada e viemos num ritmo acelerado e a esperança de visitar o Vale da Lua renasceu. A volta foi dinâmica. Chegamos no carro às 16:30 e saímos correndo pois sabíamos que fechava às 17. Como era nosso último dia, quaisquer 10 minutos seriam o suficiente.

E o planejamento foi certeiro. Alcançamos a propriedade às 16:50 e, para nossa sorte, nos foi informado que poderíamos ficar até às 17:30.

O Vale da Lua

A entrada para o Vale da Lua fica a 5 km antes de São Jorge para quem vem de Alto Paraíso.

Pagamos os 20 contos por pessoa, assinamos o caderninho e percorremos correndo os 600 m de trilha. Baixe o track aqui.

O Vale da Lua é um afloramento gigantesco de rocha de aproximadamente 200 m de comprimento, que é cortado pelo Rio São Miguel. Devido à composição da rocha no local (conglomerado carbonático, como consta no post do Paulo Boggiani no site Portal Bonito), o rio conseguiu erodi-la de modo a formar diversas feições curiosas de dimensões variadas. Por sinal, assim que se chega no Vale da Lua, não se pode ver o rio, visto que ele corre a cerca de 3 m abaixo do nível da rocha.

Vale da Lua

O cenário se torna mais belo pois ao fundo se encontra a Serra da Boa Vista.

Vale da Lua
Vale da Lua

A mega rocha possui uma inclinação de aproximadamente 10º e é possível descê-la até chegar numa prainha que tem um poço bom pra banho de cerca de 10 m de diâmetro.

Aqui subi o rio a nado por uns 10 metros por entre as paredes entalhadas da mega rochona. É um cenário deveras interessante.

Regressei para o pocinho, reencontrei com Dayse e subimos em direção ao carro.

Felizes da vida que tinha dado tudo certo e já inconformados com a viagem espetacular que tivemos, voltamos para Alto Paraíso de Goiás pela última vez nesta trip.

Fim
Tchau road trip

Esta era a noite de ano novo e infelizmente não vamos poder contar como que é a festa da virada na cidade pois acabamos dormindo antes da meia noite.
(índice)


8º DIA – Retorno à São Paulo

Nosso voo partiria às 13 de Brasília. Como o trajeto de carro levaria 3 horas, saímos às 9 de Alto Paraíso.

E assim terminou nossa inesquecível viagem para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros!!!

Abração e obrigado pela leitura!!

Tchau
(índice)

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